sábado, 27 de outubro de 2012

Jólhe, Jélie, Júlia

Li para a Júlia o livro Marcelo, Marmelo, Martelo, de Ruth Rocha. Presentão que ela ganhou de tia Meg na festa da família. Essas tias são de arrasar! Sempre nos dão livros, e sem dúvida, livros é o melhor presente.


Rimos muito com a história, uma delícia. Para mim foi um recordar, Ruth Rocha é velha conhecida. Recomendo para quem tem filhos pequenos.

Ao terminar a letura, Júlia emenda: aposto que vovô PC leu Marcelo, marmelo...aquelas bobagens que ele fala e eu não entendo nada, ele só pode ter aprendido com Marcelo. Eu cai na gargalhada, e tive que ligar para meu pai para dizer essa novidade.

Desde sua infância, meu pai criou com um amigo uma linguagem que só os dois entendem, e se comunicavam nessa linguagem, deixando todos muito curiosos. E a linguagem é um sucesso na família, e todos são contaminados pela regra de formação das palavras, que segundo ele, em sua gramática, todas as palavras possuem "duas desinências".

O título do post por exemplo, é como se fala Júlia, na sua linguagem.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

XV Encontro da família Hoffmann

Aconteceu no último dia 13 de outubro, o encontro anual da família Hoffmann. Repleto de emoções, re-encontros, muita alegria e gargalhadas.


Como é bom estar rodeado de gente de bem com a vida. Nesses encontros descobrimos primos e parentes que sequer imaginávamos, e nos mais diferentes lugares do país.

Nesse ano, Júlia roubou a cena. O microfone parecia doce, e ela detonou, conquistando a todos com o seu jeito de ser. No ápice da festa, quando conseguiu a atenção de mais de 200 pessoas, ela disse: Agora eu preciso dar um recado muito importante para vocês - e eu pensei comigo, la vem bomba por ai - .... disse mais: o encontro dos Hoffmanns é um sucesso! Precisamos agora organizar o encontro dos Braganças!! (a gargalhada foi geral, Bragança é o nome da família herdado de Verônica).


O mais emocionante do encontro foi quando todos estávamos dançando, e um primo querido, que havia amputado a perna recentemente, levantou-se da mesa e andando com sua recente prótese, jogou as muletas para o lado e começou a dançar também. Todos foram abraçá-lo, e a choradeira foi geral. Ele muito emocionado agradeceu a cada um pessoalmente por tanto carinho recebido em toda a fase difícil que havia passado. 


Figuraças responsáveis por uma boa fatia da ala carioca da família...amo vocês. Genética forte, dominante, praticamente de japonês!

Ano que vem o encontro anual será em Taubaté-SP, e com dois novos membros recém chegados na família!!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Pedras brancas


Sempre compro livro no Estantevirtual, acho que a sacada dos caras foi genial ao reunir num único lugar, centenas de livreiros e sebos.

A última aquisição me surpreendeu, não apenas pela raridade e pelo preço do produto, mas especialmente pelo atendimento dado pelo livreiro. Era um livro esgotado, e paguei só R$ 5 pratas. 

Além do livro estar super bem embalado, em estado de novo, o que denota o zelo do livreiro com seus produtos, junto do mesmo veio uma pequena pedra branca. Tempos depois recebo a explicação sobre o que seria aquilo, num texto enviado pelo livreiro, o Beto.

A vocês, amigos que estão sempre por aqui, recebam também uma lasquinha dessa pedra, e façam o mesmo com as pessoas que amam. Vamos exercitar a gratidão.

***

Para descansar, não há nada melhor do que uns dias na praia. Não digo aqueles de alta temporada, pois nessa época é provável que a pessoa volte mais cansada do que foi.

Sei que essa questão de gosto é individual. Para alguns uma semana de compras em país estrangeiro é deleite garantido, para outros é o contato com as matas fechadas, outros ainda relaxam enquanto visitam museus dos mais diversos tipos. Cada um tem sua preferência. Quem irá dizer o que realmente nos faz bem, senão nós mesmos?

A última vez em que estive na praia, fiz a coisa que mais gosto de fazer, por ali, que é caminhar descalço na areia. Ah como é bom caminhar na areia! Os pés tocando o solo, descarregando nosso corpo das vibrações negativas. Caminhando, comecei a pensar nas pessoas que amo. A maioria estava longe e me deu uma vontade muito grande de estar perto delas.

Imediatamente me pus a pegar do chão pedrinhas brancas. Por que brancas? Os motivos, irei dizer a seguir. Escolhi as de cor branca, por simples analogia à cor da paz e da pureza. E, diante de tanta variedade de pedras, haveria de fazer uma escolha, porque senão juntaria uma pedreira. Fui caminhando ali, agachando a cada pedra “preciosa” que encontrava, e colocando-as em um saquinho de plástico. Levaria comigo quantas fosse capaz de recolher.

Há algum tempo um livro me ensinou que não existe nada, mas nadinha, mais precioso do que o poder da gratidão. É certo que se deve almejar sempre algo mais ou melhor. Mas, por outro lado, não conseguiremos isso maldizendo a vida que possuímos, as coisas materiais que temos, reclamando das pessoas em torno de nós.

Um dos autores desse livro queria dedicar um ou dois minutos de seu dia para agradecer por tudo aquilo que a vida lhe entregara, mas, com o atropelo da rotina, quase sempre se esquecia. Um dia, olhando uma gaveta, achou uma velha pedrinha que sua filha, quando ainda era uma criança, lhe deu como presente. Sorriu com satisfação. Era uma lembrança boa.

Agradeceu pelos filhos perfeitos que possuía.

Pegou a pedra na mão e teve uma brilhante ideia: “Vou levar essa pedrinha comigo, em meu bolso, todos os dias”. Todas as manhãs a rotina se cumpria, junto a sua carteira, aliança, celular, lá estava sua pedrinha. Ao pegá-la agradecia em pensamento tudo aquilo que fazia parte de sua vida. À noite, quando chegava em casa, repetia o ritual ao contrário, pois ao esvaziar os bolsos estava lá o “lembrete” simbolizado pela pedra. E, novamente, fazia seus agradecimentos.

Esse livro diz que se há alguma coisa de extrema relevância em nossos pensamentos é a força da gratidão. Após tomar conhecimento, adorei a ideia e fiz o mesmo. Interessante lembrar que tinha guardado uma pedrinha que minha filha Maria me deu, então automaticamente passei a adotar tal procedimento.

Enquanto caminhava na praia, tive a ideia de levar “pedrinhas da gratidão” a todos os que me são caros, pois, juntamente com um papel escrito, entenderiam os motivos que me levaram a presentear meus amigos e familiares com simples pedras brancas. 

Já no caminho de volta, pensei na cena: eu dando uma pedra para cada um. Fiquei com vergonha. Naquele momento pensei: as pessoas não vão entender o meu presente, algumas prefeririam camisetas, bonés, ou qualquer coisa que se possa usar sobre o corpo. Desisti da ideia pensando que alguns iriam dizer que fiz isso simplesmente por economia... Penso que muitos não entenderiam o que imaginei.

Muito mais importante do que um presente que proporcione o uso é oferecer um presente que provoque alguma mudança positiva nas pessoas. Mas não tive peito pra isto. Ao desfazer as malas foi deixada na estante da sala a riqueza que eu trouxera da praia: minhas pedras brancas.

Fui até o tanque e lavei-as, para tirar o que sobrou de areia. Depois coloquei-as em um vidro e completei com água juntamente com um produto para deixá-las mais claras. Minha tristeza foi não conseguir fazer como havia planejado, faltou-me coragem; e, por isto, as deixarei à espera de pessoas que valorizem as pequenas coisas.

Quem aí, entre os meus leitores, gostou da ideia que me procure, pois poderei entregar uma pedrinha dessas a você. Porque elas são muito preciosas para estarem nas mãos de pessoas que não as valorizem. Então escolhi entregá-las à medida que forem sendo pedidas. Sei que muitos daqueles para os quais peguei as pedras irão pedi-las. Posso ter feito mal juízo de alguns, mas, podem ter certeza, cada um dos que pedir me trará uma alegria para o coração. Saberei então que estamos sintonizados na mesma rádio. Será um prazer poder dividi-las.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O rasante da cegonha

No final de agosto, fiquei sabendo da novidade. Disse que minha boca é um túmulo. Na ocasião, mandei a mensagem abaixo para ela.

***


Nada chega por email
que houve Dona Valada?
nem um oi por telefone
por quê tá tão calada?
me revela o segredo
vou manter boca fechada

Tô zonza até agora
cansei de tanta cobrança
a idade vai chegando
vou perdendo a esperança
mas vou logo lhe dizer
em ti tenho confiança

Cospe logo a notícia
não me deixe curioso
tenho até dor de barriga
parece delicioso
sinto cheiro de desejo
de doce apetitoso

O desejo ainda não veio
uma hora vai chegar
a família vai crescer
não é de arrepiar?
a cegonha já desceu
um neném vamos ganhar


***


Quase um mês depois, 19 de setembro,  e a Ivana vai dar a notícia para seus pais da chegada do bebê, justamente no dia do aniversário do seu pai, é para matar o velho!!

Fui o segundo a saber
consegui manter segredo
fiquei de boca fechada
a língua coçando no dedo
faz tanto tempo que sei
e isso me mete medo

é chegado o dia
a trombeta vai soar
presentão de aniversário
o portuga vai ganhar
só espero que com a notícia
o velho não vá desmaiar

***

Tive de segurar a língua até hoje, pois tenho certeza que o pai da Ivana iria saber por aqui antes, leitor assíduo que é deste blog (tá certo, exagerei nessa!)

Engraçado que esse é daqueles segredos que ela conta para todo mundo, e pede para ninguém espalhar né? Parabéns Ivana, Fábio e Dodô!! Filhos são dádivas de Deus em nossas vidas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pérolas

Ontem, enquanto tomava banho, ganhei duas pérolas de presente.

Júlia entra no banheiro e diz:
- Papai, tenho uma notícia excelente para te dar.
- Agora vou assistir jogos com você, os do Brasil e o do Flamengo.
Respondi:
- Legal!! (pensei, vai mudar de time com essa fase negra do mengão)
E ela de bate-pronto:
- Você me dá o seu 'radinho'? (interesse puro)

***

Em seguida, Laura entra e eu estou me secando, começa o interrogatório.
- Tomou banho? Tomei
- Lavou cabeça? Sim
- Passou sabão? Sim
- Lavou a pititita ? (pedi socorro)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Mote: caso de clonagem

Tanto dia pra nascer
e têm o mesmo natalino
como pode acontecer?
um paulista outro sulino
o primeiro caso raro
de gêmeos bivitelino

Dizem que ele parece
com o pai da moça loura
será qu´eles nasceram
como o cristo em manjedoura?
da roça os dois vieram
desde cedo na lavoura

Marayse e Claudio Dundes
deixo aqui a homenagem
pelo niver de vocês
o cordel como linguagem
pra dizer a todo mundo
cês são caso de clonagem

*Ilustração retirada daqui.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A sensibilidade é branca


Existem Médicos e médicos.

O pediatra da Júlia, um Médico de verdade, está fora do país, participando de um congresso.

Vacilamos, pois essa era a única pergunta que não poderia ter sido esquecida na consulta com o pediatra na semana passada...tá, na sua ausência, a quem podemos recorrer caso algo aconteça??

Obviamente, nessas horas, shit happens. E verônica é faixa preta na arte de encontrar solução.

Júlia apareceu com um quadro de febre, que voltava exatamente a cada 6hs e sem motivo aparente. Após tentar um primeiro atendimento em Rio Bonito, onde todos os médicos consultados se recusaram a atender, dizendo que não tinham agenda, e diante da falta de pediatra tanto no hospital quanto na UPA, ficamos sem chão.

Verônica liga para a clínica do pediatra em Niterói, em busca de um socorro, e foi logo perguntando: na ausência dele, quem é indicado??

A recepcionista respondeu: o Pai dele! Como assim!! ele tá atendendo hoje?? (Era meu pediatra, e há trinta anos atrás ele já era velhinho...sim, continua na ativa). Pode marcar!!!

O bom velhinho atendeu a Júlia, identificou o quadro de faringite iniciando e medicou...a febre se foi.

Chego em casa e pergunto a Júlia, e ai, gostou do velhinho que era o médico do papai? 

E ela: sim, gostei muito! Ele é muito sensível! Me examinou com carinho. O filho é bruto, me examina machucando (não aguentei, caí na gargalhada, coitado de Dr. Paulo, não tem essa culpa em cartório)...ele não! E é mais velho que biso, tá com a cara inchada de velhice. Biso tem a cara lisinha.

É isso, a sensibilidade tem cabelos brancos.

Sou mais uma vez grato a esse excelente Médico, que na idade avançada, continua exercendo com muito amor, seu ofício.

Deus te abençoe, Dr. Aziz.