segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Em seu lugar

Um ancião que estava para morrer procurou um jovem e narrou uma história de heroísmo:

Durante a guerra, ajudou um homem a fugir. Deu-lhe abrigo, alimento e proteção.

Quando já estavam chegando a um lugar seguro, esse homem decidiu traí-lo e entregá-lo ao inimigo.

E como você escapou? – Perguntou o jovem.

Não escapei. Eu sou o outro, sou aquele que traiu. – Diz o velho. Mas, ao contar esta história como se fosse o herói, posso compreender tudo o que ele fez por mim.

* * *

Você saberia o significado de empatia?

Segundo o dicionário Aurélio, empatia é a tendência para sentir o que sentiria caso estivesse na situação e circunstâncias experimentadas por outra pessoa.

Possivelmente, já devemos ter relatado uma experiência a outra pessoa, que nos respondeu assim: É... deve ter sido difícil para você...

Ao se colocar na posição do outro, tudo pode se modifica. E temos feito esse exercício?

A empatia nos torna menos orgulhosos e egoístas, pois faz com que pensemos não só em nossos pontos de vista, em como estamos nos sentindo, mas também na vida alheia, no que se passa no íntimo de alguém.

Existe um termo nos países de língua inglesa que retrata bem a empatia: "colocar seus pés nos sapatos dos outros" (in your shoes). Já experimentou calçar um sapato apertado de outra pessoa e sentir onde aperta seu calo?

Em tempo, existe um filme chamado "in her shoes", traduzido no Brasil como "em seu lugar". Assista, e coloque-se na posição dos personagens.

Se quer fazer a mesma atividade através de um livro, leia "o segredo do meu marido", e siga também analisando as atitudes de cada personagem, e se colocando na posição de cada um deles.

A empatia nos torna mais humanos, mais próximos da realidade do outro, de suas dificuldades e de seu caminho. Passamos a analisar a vida através de outros pontos de vista, de outros ângulos e, assim, nos tornamos mais sábios, mais maduros.

* * *

Quem será que nunca ouviu: Fazei aos homens tudo o que desejai que eles vos façam, pois é nisto que consistem a lei e os profetas (Mateus 7:12)

Há mais de 2000 anos aprendemos a lição da empatia, de nos colocarmos na posição do outro.

Mas como diz o poeta, "a lição já sabemos de cor, só nos resta aprender".

Precisamos praticar mais.


Fonte: www.momento.com.br

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Buscar o sim

A gente se acomoda,
A gente se acostuma,
A gente procastina,
A gente não se arruma,
Até quando conseguiremos?
viver assim é o que queremos?
Contentar-se com coisa alguma.

* * *

Há tempos não fazia uma septilha.
Saudades dos amigos cordelistas...

* * *

Tem uma frase de um amigo que gosto muito. Sempre muito agitado, correndo atrás dos sonhos, um batalhador incansável. Ele diz:
"Cara, o não está garantido, vamos buscar o sim".

E quantos estamos dispostos a buscar o sim?

É simples demais, mas requer mudança de atitude.

Por que ter medo de ganhar um não? Se não fizermos nada, a resposta já é essa mesma!

Precisamos mais de sim. Sair da zona de conforto. Arriscar um pouco mais.

Lembrei de um texto, trabalhado em sala de aula há 25 anos. Sim, coisas boas são inesquecíveis.

Oficina de leitura da Tia Zulma. O texto é de 1972, e continua muito atual.

* * *
Eu sei, mas não devia (Marina Colasanti)

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

* * *
Como diz Gilberto Gil: "a gente quer mu-dança".

(Inspirado em Raina, que tinha o não como resposta e foi buscar o sim, e conseguiu).

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Vitória épica

Esse título lhe é familiar?

Fez a ligação com algum jogo online?

Saberia dizer o que está por trás do sucesso de projetos como Duolingo e Khan Academy?

Uma teoria chamada gamification.
* * *

Você conhece alguém que passa muitos horas jogando algo online? Faz ideia da quantidade de horas por semana?

Os números impressionam...

Um estudo americano mostrou que se gasta em torno de 3 bilhões de horas por semana em jogos online.

Em um ano, esse tempo seria equivalente a 5,93 milhões de anos.

Para termos uma ideia, há 5,93 milhões de anos, nosso primeiro ancestral primata ficou de pé.

Até os 21 anos, um jovem de hoje terá gasto 10.000 horas em jogos online. Da 5ª série até a faculdade, ele estuda cerca de 10.080 horas, se for um aluno assíduo. Então temos ai uma formação paralela em jogos, equivalente ao tempo que se leva na escola.

Uma outra teoria diz que 10.000 horas seria o tempo suficiente para você se tornar virtuoso em qualquer área do conhecimento. E no que esses jovens estão se tornando virtuosos?

* * *

Somos melhores nos jogos do que na vida?

Por que nos jogos nunca somos um fracasso? Nunca desistimos, e a derrota não nos abala? Ganhamos nova vida e vamos em frente.

Existe gente boa trabalhando nisso, no aproveitamento desse tempo que os jovens passam online.

Ai está o Duolingo, e Khan Academy. E tantos outros que estão por vir.

Se os números e as informações te chamaram a atenção, veja o que Jane McGonigal tem a lhe dizer:

"Jogando por um mundo melhor"

E vamos em busca da vitória épica!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Momentos: e suas variações

Momentos!
Um momento é...
Como definir um momento?
Eu não sei dizer.
Não sei, me pergunte algo mais simples.

* * *

Trouxe um vídeo nessa semana para dividirmos uma experiência coletiva ao qual chamarei "Variações sobre um mesmo tema". Não vou falar mais nada para não estragar a surpresa. Assista antes de continuar a leitura.



* * *

Se possível, deixe registrado o que lhe veio a cabeça com o vídeo, uma experiência LSD (lembranças e sensações a dividir). Ficou mais fácil agora definir momento?

Certamente teremos muitas leituras diferentes do mesmo tema, e ai que está a riqueza da experiência, as variações do olhar.

O vídeo foi inspirado no livro "A soma de Tudo", de David Eagleman, que ainda não tive a oportunidade de ler.


Valeu a pena?

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

URGENTE: Mano velho

O que seria URGENTE para você no dia de hoje? 

Pense no assunto, só continue a leitura quando tiver a resposta. Porque muitas vezes, na correria do dia, essa será sua única oportunidade para pensar nessa urgência.

Será que você consegue dar conta hoje dessa urgência?

E porque nove em dez pessoas reclamam da falta de tempo?

Mas o tempo não é o mesmo para todos?


* * *

Semana passada recebi um e-mail de um colega de trabalho. Ele começava o assunto com um garrafal <URGENTE>, mas por "coincidência", eu estava preparado para essa situação.
 
No programa de e-mail que usamos no trabalho, existe um recurso chamado "aviso de leitura", algo parecido com o "azulzinho" do whatsapp, que indica quando a pessoa leu o e-mail.
 
Por que as pessoas acham que esse recurso "<URGENTE GARRAFAL>" poderia influneciar alguém a priorizar qualquer atividade?
 
Quando recebi a mensagem, sequer me dei o trabalho de abri-la, por três motivos:
 
1) O que é urgente para um, não é para outro;
2) Se fosse realmente urgente, iria receber uma ligação, ou uma visita pessoal, e não um e-mail. 
3) Estava vacinado para isso, tinha lido dois textos preparatórios na semana, que compartilho agora com vocês.

O primeiro é um texto lindo (poesia em prosa) da @claricefreiree sobre o tempo, e o segundo, uma reflexão do site momento.com.br sobre o que é urgente. Vou transcrever os textos aqui, pois se  colocasse apenas o link, muitos não iriam buscá-los...Vamos lá!


Texto 1
 

O senhor do meu tempo (dos outros)
 

Tive um relógio que custou dez reais. É. Dez reais. Adoro coisa barata. O problema é que eu teria que ser uma criatura cuidadosa para que isso garantisse alguma durabilidade aos meus pertences. Mas sou tão cuidadosa quanto um hipopótamo diante da seção de cristais em uma loja de antiguidades. Ou uma vaca correndo, como me comparou poeticamente o meu pai, ao me ver esbarrando em todos os objetos da casa. As coisas não duram muito comigo. Graças a Deus estou falando apenas de coisas.

O meu relógio, voltemos a ele, que já foi dourado, agora tinha um charme desbotado só seu – óbvio. 

Quem mais derramaria águas e perfumes em cima dele quase todos os dias sabendo que não é à prova nem de lágrimas? Mas quem é à prova de lágrimas? Que exigência terrível! — e ele parou de funcionar.

“Foi a bateria”, pensei com esperança. Não queria me desfazer dele. Era cedo demais. Fui até o relojoeiro mais próximo de casa e entreguei meu tesourinho saído do pulso. Havia uma mulher, um jovem e o senhor que usava um jaleco e óculos na ponta do nariz. Um jaleco. E ele examinava minuciosamente o meu relógio com uma cara estranha. Imaginei que ele estivesse pensando “qualquer coisa que eu fizer aqui vai ser mais cara que isso”. Já formulava uma resposta desaforada, meio nervosa, quase perguntando “é grave, doutor?”.
 
Mas ele não parecia desprezar meu relógio pelo preço. Pelo contrário. Parecia respeitá-lo e tinha a delicadeza de alguém que manuseia pétalas de uma rosa.
 
Uma coisa tão estranha.
 
Comecei a ficar hipnotizada com os nós dos dedos nodosos daquele senhor quase careca. Pareciam mesmo saber controlar o tempo.
 
Ele controlava o tempo.
 
Agora eu já fazia uma lista de pedidos pessoais ao senhor e pensava como persuadi-lo a me atender.
 
Para ganhar tempo (ou perder?) olhei em volta. Não havia ainda parado para observar a loja ao meu redor por estar preocupada demais com o funcionamento – ou não – do meu contador de minutos. Quantos e quantos relógios espalhados. Nem uma brecha em nenhuma das paredes, só relógios. Modernos, de madeira, antigos, analógicos, digitais, rebuscados, simples, ocupando todo o espaço. No balcão, peças: pulseiras, ponteiros, vidrinhos. Tudo ali girava em torno do tempo que girava e girava através dos ponteirões do relojão à minha frente.
 
Nenhum relógio marcava a mesma hora. Todos tinham uma hora só sua. Um tempo só seu. Seriam correspondentes aos seus donos? Cada um tem seu tempo, me ensinaram. É verdade.
 
Vi o quanto, de fato, ele é relativo.
 
Voltei para o doutor do meu. Notei que os funcionários não faziam nada sem perguntar a ele que, ao sussurrar algo inaudível sem tirar os olhos do meu relógio, os outros colocavam em prática. Um verdadeiro senhor do tempo. Agora eu respeitava ainda mais o ancião carequinha.
 
O senhor do tempo não tinha preconceitos, respeitava o tempo de cada um, não havia mudado nenhum. Tratava com louvor o meu tempinho pobre e de brilho cansado.
 
O senhor do tempo ignorava qualquer outro apressado com seus contadores de segundos nas mãos, esperando sua vez, porque aquele tempo era meu. E não valia nem dez reais, mas o senhor do tempo não estava preocupado com preço, só fazia um balé com as mãos, cheio de apreço.
 
O senhor do tempo levantou os olhos por cima dos oclinhos de meia-lua para mim. Muito sério. Esperei o veredicto.
 
— Olhe, senhorita, posso trocar a bateria, é só esse o problema. Mas a pulseira não dá, nem posso melhorar o brilho, isso só em uma autorizada.
 
— Autorizada? Mas, senhor, essa bugiganga não vale nem dez reais.
 
Ele olha para baixo meio divertido.
 
— Eu sei.
 
—  Por que disse isso?
 
Perguntei sorrindo sinceramente.
 
— Porque você o trouxe pra mim, então se importa com ele, não é? Não ia tratá-lo como qualquer coisa na sua frente. Vai saber. Também não tenho a pulseira, me desculpe. Você quer a bateria? Custam quinze reais.
 
— Sim, por favor.
 

Ele agora sorria para dentro. Era um homem de pouquíssimas palavras. E lá foi ele fazer uma pequena cirurgia e colocar um novo coração dentro do meu tempo, que saiu muito disposto da relojoaria, pronto para me mostrar perfeitamente a minha vida passando rápido, voando, por dentro dele. E que, por favor, eu tivesse a fineza de respeitar —delicadamente bem — o tempo dos outros ponteiros.


Texto 2
O que é urgente?

Se você tivesse que enumerar, neste instante, todas as suas urgências, o que é que constaria em sua lista?

Talvez tenha na memória os compromissos mais urgentes de hoje, ou já tenha dado uma olhada na agenda e constatado que eles são muitos e quase todos importantes.

Todavia, antes de começar a correria costumeira do seu dia, vale a pena refletir mais detidamente no que é realmente urgente.

A vida agitada dos dias atuais nos leva a estabelecer uma lista de urgências que nos faz, tantas vezes, perder o significado real do que são prioridades.

Para algumas pessoas, urgente são somente as coisas materiais, esquecidas de que, no dia em que partirem, deixarão pendentes as coisas que realmente eram urgentes.

Para melhor avaliar o que sejam prioridades de fato, verifique sua lista e anote tudo o que terá que ficar na alfândega do túmulo, caso tivesse que partir agora.

Sem desconsiderar as necessidades materiais que a vida no corpo físico exige, é necessário estabelecer prioridades também no campo afetivo, junto às pessoas que estagiam conosco nesta existência.

Urgente, por exemplo, é que você pare um momento na sua vida agitada e se pergunte: Que significado tem tudo isso que faço?

Urgente é que seja mais humano e mais irmão.
 
É que saiba valorizar o tempo que pede uma criança.

Urgente é que veja o nascer do sol, sinta o seu calor e agradeça a Deus por tão grandioso presente.
 
É saber aproveitar as lições do dia a dia da melhor forma possível, em benefício do progresso do Espírito imortal, que transcende a vida física.
 
Urgente é que curta a sua família, seus filhos, sua esposa e todos que o rodeiam, e valorize esse precioso tesouro.
 
Urgente é que diga às pessoas que lhe são caras o quanto as ama e o quanto são importantes para você.
 
Urgente é que saiba que é filho de Deus e se dê conta de que Ele o ama e quer vê-lo sorrindo, feliz e cheio de vida!

Urgente é que não deixe a vida passar como um sopro e, quando estiver no fim da linha, não olhe para trás como quem quer voltar e percebe que já não há tempo...
 
Já não há tempo porque tudo o que fez foi urgente...
 
Você foi um grande empresário, encheu sua agenda de urgências, compromissos e projetos... mas se esqueceu de viver.
 
Foram tantas as urgências que deixou passar a verdadeira finalidade da existência, que é aprender a amar. É desenvolver o amor por si mesmo e estendê-lo ao seu próximo.
 
Por todas essas razões, reveja sua lista de urgências e priorize aquelas que são realmente importantes.
 
Faça isso hoje... Não deixe para amanhã.

Se faz muito tempo que não almoça ou janta em casa para atender aos negócios, pense que sua família deve ser a prioridade número um da sua lista.
 
Você lembra quantas vezes evitou o abraço carinhoso de um filho, para não amarrotar ou sujar a sua roupa, que deveria estar impecável para a próxima reunião?
 
Lembra-se a quantas festinhas na escola de seu filho deixou de ir por causa das suas urgências profissionais?
 
Pare um pouco e veja se não há nenhuma inversão de valores em suas urgências. E se constatar alguma irregularidade, ainda é tempo de reverter a ordem das coisas.
 
Se você está enfermo, sua prioridade é tratar da saúde.
 
Se está estressado, sua urgência é buscar um meio de sair desse estado.
 
Mas, se você sente um grande vazio na alma, nada do que tem feito lhe faz feliz, a depressão ameaça se instalar e nuvens cinzentas pairam sobre seu mundo, você está diante de uma emergência.
 
Procure uma pequena brecha mais clara, segure as nuvens com as duas mãos e abra-as para que o azul do céu apareça...

E se suas mãos não conseguir afastar as nuvens, rompa-as com uma oração sincera e busque conectar-se com o Alto, permitindo que a Luz Divina penetre em seu ser e ilumine definitivamente o seu caminho.

* * *

"Enquanto isso na sala de justiça", como diria a banda mineira Patu Fu,

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã

Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final.

Que você possa usar o tempo naquilo que seja realmente urgente.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Coincidências

Quantas vezes já não fomos surpreendidos por uma coincidência? 

Você seria capaz de lembrar alguma situação que já tenha acontecido com você? 

E por que será que isso acontece?

Você pensa numa pessoa, e essa pessoa aparece, ou te liga ou faz algum contato.

No exato momento de sair de casa, você esquece alguma coisa e tem de voltar para buscar. E esses breves minutos que te fazem retornar, e via de regra você o faz reclamando de tudo e de todos, te livram de alguma situação de perigo.

Quantos histórias não existem de pessoas que não conseguem embarcar em seus voos programados pelos mais variados motivos, e um acidente aéreo fatal acontece? 

* * *

Muitas vezes a vida está querendo nos dizer alguma coisa com tantas coincidências, e nós não estamos atentos. "Quer que eu desenhe?" - perguntaria a vida.

Havia terminado de ler um livro e estava no difícil processo para selecionar o próximo da lista a ser lido. Na hora do almoço, dei uma passada na livraria e estive com um livro nas mãos. Sabe aquela atração inexplicável que te leva para os confins da livraria e, sem que ninguém te ajude, chega as suas mãos um livro inesperado? Uma verdadeira atração fatal! Pois bem, eu não ouvi esse primeiro sinal, e não levei o livro.

Na tarde do mesmo dia, recebo um tweet da editora do citado livro, convidando para a leitura de um capítulo desse mesmo livro que estava mais cedo em minhas mãos.

Na sequência, um novo tweet, dessa vez do site TED.com, chamando para uma palestra dizendo: "e se nós procurarmos por aquelas pequenas coincidências verdadeiramente fascinantes que acontecem em nossas vidas?" Assista a palestra aqui.


Antes que estivesse andando pela calçada e o livro caísse em minha cabeça, voltei à livraria para levá-lo para casa.

E você certamente está morrendo de curiosidade: qual será o título!?

Calma! Eu vou te dizer! Antes porém, queria que você pensasse nessas coincidências que ocorrem diariamente em nossas vidas ok?! Fiquem atentos, elas podem nos ajudar bastante. Compartilhe ai com o mundo um momento desses vai!

Bem, após concluído o parágrafo linguiça acima, vamos ao título: mas preste atenção em quão sugestivo é esse título!! Ok, vamos lá:


Óbvio que depois de tanta coincidência, espero que a leitura seja compensadora. Aí, volto aqui para falar mais um pouco.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Invenção e inventário

Pense agora em uma invenção que você não consegue viver sem ela.

Será que há dez anos atrás você era assim tão dependente dessa invenção?

E será que daqui a dez anos, essa invenção que hoje lhe é imprescindível, não estará completamente esquecida e obsoleta?

Agora diga para a gente, que invenção foi essa que você pensou? Deixa ai nos comentários. Quem sabe daqui dez anos a gente não volte aqui para relembrar e rir das coisas.

* * *

Certo dia, mexendo no computador, minha filha perguntou onde estava a letra A: e B:, já que os discos do computador começavam com C: e D:

Mostrei fotografias de disquetes para ela saber do que se tratava. Um era maior que um pão de forma, e tinha a estupenda capacidade de armazenar 360 kbytes (o que não dá hoje para guardar sequer uma foto).

Quando surgiu seu sucessor, com a capicidade 4x maior, ou 1.4 Mbytes (não cabe sequer uma música hoje), foi uma revolução e tanto... E nos discos externos de hoje, que substituem os pendrives, caberiam cerca de 1 milhão de disquetes.

E provavelmente daqui dez anos, vamos rir dessa capacidade de hoje também.

E por falar nisso, já parou para pensar no papel da tecnologia?

Facilitar a vida, ganhar tempo, aumentar a produtividade, podem ser alguma das respostas. Mas não parece um paradoxo?

Se ela serve para que ganhemos tempo, por quê estamos sempre a reclamar que não temos tempo?

Veio para facilitar nossa vida, e muitas vezes nos tornamos escravos dela (lembra da pergunta inicial? Não consegue viver sem ela?). E a lembrar que há bem pouco tempo atrás, vivíamos normalmente sem ela.

Certamente, a economia do tempo é notória. Então esse tempo extra que ganhamos com o advento da tecnologia, precisa ser melhor empregado, não acha?

Antigamente para se fazer um bolo, pergunte aos mais antigos:
- não tinha batedeira (batia-se na mão);
- forno era a lenha (hoje é vintage ter um);
Hoje a massa já está pronta na prateleira...

E para se comunicar? Cartas.
- escrevia-se em papel;
- usava-se Correios;
- a resposta demorava dias;
Hojé é instantâneo.

Então, para onde está indo esse tempo que ganhamos com o advento da tecnologia? 

Pense em como tem empregado esse tempo extra que ganhou. Se ele está te libertando ou escravizando.

Já pensou em estudar algo que você gosta e nunca teve oportunidade (porque não tinha tempo)? Música, arte, línguas, fazer uma faculdade, um trabalho voluntário.

Pense nisso, ainda temos tempo.

* * *

Falando em tecnologia, em nossa infância, tínhamos em casa um videocassete (lembra disso?). 

Curioso que o controle remoto dele era com fio. Sim, controle remoto com fio!

E pagava-se multa na locadora, se entregasse a fita sem estar rebobinada (gargalhando).

Então eu e minha irmã, estávamos fazendo uma lista, daquilo que cada um iria herdar.

Por ser o mais velho, comecei escolhendo o videocassete. Ela escolheu o carro (um Gol 84).

Surpreso com a audácia e esperteza dela, escolhi o Fusca (78).

Ao passar pela gente, e vendo nossa discussão, nosso pai perguntou o que estávamos fazendo. Ao saber do inventário antecipado, pega a lista e passa o sermão:

- Tudo que temos, foi com o esforço do nosso trabalho, meu e de sua mãe. Seu avô não deixou nada para a gente. A única coisa que ele nos deu de herança foi a educação, e ele tinha a certeza que com ela conseguiríamos tudo. - E continuou:

- Eu aprendi muito bem a lição, e, de igual forma, tudo que deixarei para vocês, será educação.

E isso é uma marca que ninguém apaga.

Então, diante de tantas invenções e tecnologias, que são transitórias, vale pensar:

- O que você está deixando como inventário? Isso sim, é permanente.